sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O MICO


Muitas são as razões que tornam uma viagem inesquecível. Este caso ocorreu em 1996 quando eu retornava para o Brasil depois de uma temporada no Porto. Após o check-in no Sá Carneiro entrei no saguão de embarque e dirigi-me até o Free Shop, em busca de um Porto Dona Antonia, um de meus preferidos. De repente entrou parte da tripulação da Varig. Ainda procurava meu vinho quando ouvi umas comissárias questionando a outra se valia a pena comprar ali no Porto um uísque que lhe haviam pedido. Nesse momento eu estava do lado delas e, sem que elas pedissem, disse-lhes que não valia à pena porque o preço era o mesmo de São Paulo e não corria o risco de quebrar, etc. Uma delas de agradeceu dizendo que iria comprar na chegada e nos despedimos sem muito mais. Naquela época, os vôos que saiam do Porto faziam escala em Lisboa e vice-versa. Quando estávamos já nos preparando para decolar de Lisboa, a mesma aeromoça do uísque aproximou-se de mim e cochichou que o Airton Senna iria viajar conosco. Ela estava tão eufórica com a presença dele que precisava compartilhar a notícia com alguém. E, dentre todos os passageiros, acho que ela se lembrou de mim por causa da conversa ainda no Porto. O café havia sido servido pouco antes de chegarmos ao Rio quando ela voltou a se aproximar de mim e disse que se eu quisesse um autógrafo do Senna era só pedir, pois ele já estava acordado. Apesar de ser o Senna, por mim, sinceramente, não teria ido. Já havia viajado com tantas outras personalidades e nunca tinha feito aquilo. Mas, naquela época, trabalhava comigo uma moça que adorava o Senna e foi por ela que tomei coragem. Quando cheguei à poltrona dele, havia uma caneta sobre a mesinha, num sinal de que ele já deveria ter assinado um bocado de vezes. Ainda meio sonolento, ele foi gentil e perguntou-me o nome dela a quem dedicou o autógrafo. Na segunda-feira, minha equipe me aguardava ansiosamente para saber sobre a viagem de volta. Perguntaram se ele tinha viajado no mesmo avião e eu disse que sim. Perguntaram se eu o havia visto. Mais uma vez respondi que sim. A empolgação crescia quando alguém me perguntou se eu havia falado com ele. Com toda calma do mundo respondi novamente que sim. Nesse momento já havia um batalhão à minha volta e o barulho aumentando, tudo porque eu havia falado com o Senna. Alguns duvidavam dizendo que era brincadeira. De repente, eu puxei um papel do bolso e disse a ela que era tudo verdade e mais, que ele havia mandado um autógrafo para ela. Imaginem vocês a emoção de todos ao verem o autógrafo do ídolo. O episódio correu mais dentro da empresa do que o próprio Senna. Jamais podíamos imaginar que poucos anos depois aquele mico com o Senna ganharia tanta importância. Tenho certeza que ao ler essa história, ela vai se emocionar outra vez!


(Reprodução - Colaboração do Quintal que é brother há mais de 30 anos, apreciador e produtor de bons vinhos)

8 comentários:

Mídia Blogger disse...

Isso me lembra que, varias vezes, tropecei cim ele na saguao em Cumbica, nuns horarios malucos e com pouquissimas pessoas azucrinando por autografo ou fotos. certa vez chegou a dar um tchauzinho pra mim, mas nunca pedi autografo pra ninguem. Acho uma pentelhacao.
A ultima vez que veio pra ca, comboiei o carro dele ate a Dutra (o Fiat da loira). Quem tem uma historia de voar junto na PRIMEIRA classe com o figura e o Belair. Ele que conte uai. Quem pagou mico foi o finado. hahahahah

Mídia Blogger disse...

so pra constar quem assinou acima, fui eu Regi Nat Rock, esse Mac que utilizo nem reconhece minha senha, putz!! so fala ingreis.

Buonanno disse...

Putz Régis,

agora fiquei curioso para saber.


Espero que o Belair venha aqui e conte a história.

Belair disse...

É longa e eu não tenho blog,hahaha.
Mas não faltarão oportunidades de lhe contar pessoalmente Miltão.Se vc tiver a paciencia de ouvir...

Renato Bellote disse...

Realmente o poder do mito.

Speed disse...

Realmente é poderoso...

Tenho um conhecido que saiu correndo de um barzinho em sampa para ir buscar sua câmera fotográfica em casa para tirar uma foto com o Senna. Detalhe: ele morava no ABC!

Deu certo, mas a foto não ficou lá essas coisas, quase não dá para ver que era ele mesmo...

Certa vez encotrei com ele na pizzaria Cristal. Ele estava numa mesa próxima da nossa, com uma garota. Não tive coragem de atrapalhar o encontro, só para pedir um autógrafo. Na saída, encontramos parada bem defronte ao restaurante aquela Mercedez Station Wagon azul metálica que ele usou por algum tempo.

Anônimo disse...

Pois é...
Eu sou a moça pentelha que trabalhava com ele e por quem ele pagou este mico!!!
Para mim, este dia foi inesquecível e sou eternamente grata pelo seu gesto...

Buonanno disse...

Anônima,

uma curiosidade: você ainda tem o autógrafo?